Qual o valor da educação básica em um ambiente de altos estudos em ciência e tecnologia, como é o caso do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)? Os professores da Escola Estadual Major Aviador José Mariotto Ferreira, localizada em seu Campus, estão aptos a responder. A unidade de ensino foi batizada em homenagem ao militar que realizou o primeiro voo da aeronave "Bandeirante", em 1968.
José Mariotto Ferreira nasceu em São Paulo em 3 de dezembro de 1929, ingressando em 1º lugar na Escola de Aeronáutica dos Afonsos aos 20 anos. Formou-se aspirante em 1952, como 3º colocado de sua turma. A partir de 1953, atuou na aviação de caça em Fortaleza - CE e como instrutor de voo na Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro - RJ.
Em 1957, foi designado pelo Ministério da Aeronáutica para realizar o Curso de Piloto de Helicópteros, Busca e Salvamento, na Advanced Flight School, nos Estados Unidos. Retorna ao Brasil em 1958, onde passou a atuar no Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Em 1960, serviu no Grupo de Aviação Embarcada em Santa Cruz, no Rio de Janeiro – RJ.
A história de Mariotto em São José dos Campos inicia em 1963, com sua matrícula no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1967, é designado para realizar o curso de piloto de ensaios na - "Ecóle du Personnel Navigant d'Essais" - França, tornando-se o primeiro piloto da Força Aérea Brasileira (FAB) a alcançar a velocidade de "Mach 2,5" (duas vezes e meia a velocidade do som, aproximadamente 3.066 Km/h).
Ao retornar ao Brasil, deu prosseguimento em seu curso de Engenharia no ITA e, logo depois, foi designado para integrar o Projeto “Bandeirante”. No dia 22 de outubro de 1968, véspera do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, o então Major Aviador José Mariotto Ferreira realiza o primeiro voo panorâmico da aeronave, momento histórico para o DCTA, para a EMBRAER e para o Brasil.
A Escola
A Escola Estadual Major Aviador José Mariotto Ferreira foi instalada no Campus do CTA em 1951 com o nome de 1ª Escola Mista do Centro Técnico Aeroespacial. Inicialmente, funcionou em um barracão na Quadra H 17, atendendo a 22 alunos da 1ª série do Ensino Fundamental. O objetivo era atender a filhos de professores, principalmente estrangeiros, que se instalaram no Campus com a criação do ITA.
Ao longo dos anos, a unidade de ensino presenciou a construção das residências e dos institutos de pesquisa, como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), o extinto Instituto de Proteção ao Voo (IPV), o então Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica (CPOR-SJ), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER).
No ano do primeiro voo do Bandeirante (1968), a escola contava com 15 classes de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental. Somente em 1970, quando recebeu autorização para o funcionamento do Ginásio (Ensino Fundamental II), é que a unidade de ensino passou a ter seu nome relacionado ao Major Mariotto, que havia falecido em acidente aéreo próximo à cidade de Jacareí ao realizar um dos últimos ensaios para aprovação da produção em série da aeronave T-23 Uirapuru, em 1968.
Ao longo de sua história, o DCTA e a Escola Estadual Major Aviador José Mariotto Ferreira tem desenvolvido inúmeras parcerias, sempre no intuito de garantir as melhores condições possíveis para os usuários da unidade de ensino, seja na infraestrutura, no apoio ao ensino ou em atividades extracurriculares.
Uma dessas parcerias ocorreu em 2006, quando a comunidade foi surpreendida com a notícia de que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo pretendia encerrar as atividades da escola pelas más condições de conservação de seus prédios. Após mobilização dos membros da comunidade, a escola foi reformada com recursos privados e através de um convênio firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São José dos Campos.
Durante o período de restauração, parte das turmas foram deslocadas para o Cassino dos Oficiais do Centro Técnico Aeroespacial (COCTA), para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica de São José dos Campos (CPORAER-SJ), e para a Paróquia Nossa Senhora de Loreto, o que possibilitou que as aulas fossem ministradas sem prejuízo do ano letivo.
Confira os depoimentos da Dirigente Regional de Ensino de São José dos Campos, Senhora Cíntia Melo, e da Diretora da Escola Estadual Major Aviador José Mariotto Ferreira sobre esse histórico de parceria:
Publicada em 15/10/2019
Fonte: DCTA, por Sgt Anderson
Fotos: ACS DCTA
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O Núcleo de Gestão da Inovação (NGI), divisão do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), participou da SC Expo Defense – Feira de Tecnologia e Produtos de Defesa, que foi realizada na Base Aérea de Florianópolis (BAFL), de 27 a 29 de setembro de 2019.
O evento foi promovido pelo Comitê da Indústria de Defesa (COMDEFESA) e pelo Centro das Indústrias do Estado de Santa Catarina (CIESC), tendo por objetivo apresentar produtos e tecnologias de defesa, contribuindo para maior integração entre a Indústria e as Forças Armadas.
A equipe do DCTA participou do evento apresentando o Sistema de Inovação da Aeronáutica (SINAER). O sistema conta com 14 ICT’s (Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação), que são Organizações Militares que atuam na área de pesquisa científica e tecnológica no âmbito da Força Aérea Brasileira.
O SINAER tem como finalidade “planejar, orientar, coordenar e executar as atividades que envolvam a Gestão da Inovação Tecnológica voltada a obtenção e manutenção das capacidades militares da FAB, a fim de propiciar um ambiente de convenções e normas que auxiliem a condução de pesquisa e desenvolvimento”.
“Esta é a primeira participação do Sistema de Inovação da Aeronáutica (SINAER) como partícipe do ecossistema de inovação junto à iniciativa privada. Também é a primeira vez que expomos um portfólio de tecnologias à disposição da indústria para transferência, e um catálogo de laboratórios para que as empresas possam utilizar essa infraestrutura tecnológica no desenvolvimento de inovações para o mercado. Assim, podemos desenvolver projetos e fortalecer a conexão entre Força Aérea e Indústria.”, disse o Coronel Aviador da Reserva César Augusto Laboissiere, Adjunto do NGI.
O evento faz parte do conceito denominado Tríplice Hélice (Governo, Indústria e Academia), e contou com palestras, exposições e paineis com a participação institucional do Ministério da Defesa, de empresas e de centros acadêmicos. Ao todo, mais de 20 palestrantes realizaram apresentações sobre assuntos relacionados à defesa e à inovação, com especial atenção a assuntos das áreas nuclear, cibernética e aeroespacial.
Publicada em 04/10/2019
Fonte e Foto: NGI
Edição: DCTA, por Sgt Anderson
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O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial promoveu, em 2 de outubro de 2019, um encontro com oficiais da reserva residentes na região do Vale do Paraíba. O objetivo do evento foi participar aos antigos militares do Campus as principais atividades desempenhadas pelo DCTA na atualidade.
O encontro teve início no Centro de Competência em Manufatura (CCM), laboratório do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) especializado em todas as etapas do ciclo de vida de um produto, realizando pesquisas voltadas para o desenvolvimento industrial e fomentando a inovação na área de manufatura.
No CCM, os convidados assistiram a uma apresentação institucional procedida pelo Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Luiz Fernando de Aguiar, que enfatizou a importância do trabalho desempenhado por todos os militares que o precederam para que o DCTA fosse reconhecido como instituição de vanguarda na área de ciência e tecnologia aeroespacial.
Ao falar sobre as atividades em curso nos diversos institutos do Campus, ressaltou o processo de aquisição, desenvolvimento, certificação e produção dos caças GRIPEN E/F, adquiridos da empresa sueca SAAB. Nesse sentido, lembrou da recente apresentação do primeiro exemplar da aeronave em Linköping (Suécia), em 10 de setembro de 2019.
Outro tema abordado foi o da aeronave multimissão KC-390, maior aeronave já desenvolvida pela EMBRAER. O Diretor-Geral ressaltou as recentes campanhas de ensaio executadas com a participação de militares do DCTA, além da entrega do primeiro avião à Ala 2 (Anápolis – GO), em 4 de setembro.
O Diretor-Geral do DCTA falou ainda sobre o projeto do míssil A-Darter, que encerrou seu ciclo de desenvolvimento recentemente, e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que tem por objetivo fornecer ao País serviços de observação terrestre, telecomunicações, mapeamento de informações, posicionamento, monitoramento do espaço e um centro de operação de sistemas espaciais.
Após a apresentação, os militares dirigiram-se ao refeitório, onde puderam ter contato com os atuais comandantes das organizações militares sediadas no Campus. Em seu discurso durante a apresentação, o Tenente-Brigadeiro Aguiar agradeceu a presença de todos e sua valiosa contribuição para o DCTA ao longo de sua história. “Sinto-me honrado em recebê-los no Campus, levar ao conhecimento dos senhores nossas atividades do momento e revê-los, como irmãos de farda que somos”, ressaltou o Diretor-Geral.
O mais antigo convidado presente foi o Major-Brigadeiro do Ar Antônio Hugo Pereira Chaves, falou sobre a iniciativa do DCTA de realizar o evento. “Agradeço ao DCTA, em particular ao Tenente-Brigadeiro Aguiar, pela gentileza de nos receber aqui e nos informar a respeito do que está acontecendo na Força Aérea Brasileira”, ressaltou o Oficial General.
Publicada em 04/10/2019
Fonte: DCTA, por Sgt Anderson
Fotos: GAP-SJ, por Sgt Herison
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Sistema atende aos requisitos técnicos, operacionais, logísticos, industriais e de segurança
Foi realizada, nesta quinta-feira (26), em Brasília (DF), a cerimônia de entrega do Certificado de Tipo e Data Package do Projeto A-Darter, que teve por objetivo o desenvolvimento de um sistema de míssil de curto alcance ar-ar infravermelho de 5ª geração com transferência de tecnologia, certificação e industrialização no Brasil.
O Certificado é o reconhecimento oficial de que o sistema atende aos requisitos técnicos, operacionais, logísticos, industriais e de segurança emitidos tanto pela Força Aérea Brasileira quanto pela Força Aérea Sul-Africana, e simboliza o encerramento do ciclo de desenvolvimento do projeto.
O Data Package é a materialização do conhecimento produzido ao longo do ciclo de desenvolvimento do projeto A-Darter. Ele é composto por todos os documentos técnicos e gerenciais elaborados ao longo do desenvolvimento, programas computacionais e dados de ensaios em laboratório e em voo.
O Diretor-Geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Tenente-Brigadeiro do Ar Luiz Fernando de Aguiar, que recebeu o Data Package da empresa Armaments Corporation of South Africa (ARMSCOR), falou sobre a importância do projeto. “Esta parceria com a África do Sul no Projeto A-Darter alcançou todos os objetivos. O míssil será um item importante incorporado ao Gripen brasileiro e permitirá a absorção de tecnologia desse artefato pelo Brasil”, disse.
O Oficial-General também destacou o trabalho da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) e do governo sul-africano. “Agradeço pela maneira profissional como o processo foi conduzido pela COPAC e, em nome da Força Aérea Brasileira, agradeço ao Ministério da Defesa da África do Sul por trabalhar conosco de maneira totalmente comprometida e irrestrita”, declarou.
Durante a cerimônia, o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), unidade da FAB subordinada ao DCTA, e o Directorate of System Integrity entregaram o Certificado de Tipo à empresa Denel Dynamics, demonstrando o êxito da cooperação tecnológica para o desenvolvimento do projeto.
Projeto
O projeto A-Darter teve início, oficialmente, em 16 de outubro de 2006, por meio da assinatura do contrato firmado entre a Força Aérea Brasileira e a Armaments Corporation of South Africa, tendo como executora a empresa Denel Dynamics.
Com o desenvolvimento desse sistema de armas, tanto a Força Aérea Brasileira quanto a Força Aérea Sul-Africana terão um aumento significativo em suas capacidades operacionais, ampliando o seu poder dissuasório e de combate.
O sistema A-Darter ar-ar possui as capacidades de identificar, de forma autônoma, um alvo após o lançamento (LOAL, do inglês Lock On After Launch); de contra-contramedidas eletrônicas (capaz de identificar e negar flares); e de identificação de alvo e lançamento com sucesso até uma posição relativa de 90 graus.
Publicada em 30/09/2019
Fonte: CECOMSAER, Por Tenente Emília Maria
Fotos: GAP-BR, Por Soldado Freitas Santos
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